A história dos cosméticos evoluiu junto com a humanidade.

Já pensou em tomar banho sem sabonete e shampoo? Ou em sair de casa sem passar um hidratante, um perfume ou um desodorante sequer? É difícil nos dias atuais imaginar a nossa vida sem os cosméticos. Na verdade é difícil imaginar a história da humanidade sem cosmético em qualquer era!
Desde os tempos pré-históricos (por volta de 30.000 a.C) já haviam práticas de adorno e camuflagem da pele. Porém, nessa época, a pintura era uma maneira de proteger-se ou intimidar os inimigos.
Com a formação das primeiras civilizações (por volta de 3.000 a.C), os rituais de beleza começaram a ser adotados. Os pioneiros foram os egípcios, indianos e orientais, que desenvolveram cosméticos e práticas semelhantes.
No Egito antigo (3.000 a.C. a 200 d.C.), a localização providenciava uma fonte rica para obtenção de substâncias naturais, que eram usadas para cuidados pessoais. A sombra dos olhos era feita com um composto de antimônio, chamado de kohl. As mulheres pintavam a pálpebra superior de preto e a inferior de verde. A área entre a pálpebra superior e a sobrancelha era colorida de cinza ou azul. Para a tintura dos cabelos e unhas das mãos e dos pés utilizava-se henna. Uma mistura de azeite, ceras, cipreste e leite era usada para prevenir e atenuar rugas. Essa civilização usava mel, leite e farelos vegetais para produção de pastas, assim como gorduras vegetais e animais e cera de abelha para fazer cremes para a pele. Homens, mulheres e crianças usavam uma espécie de maquiagem para se protegerem contra os raios solares. Além disso, o uso de óleos perfumados e essências era comum, como tomilho, cânfora e mirra.

Vaidade é definida como a alegria de sentir-se superior aos outros e a infelicidade de sentir-se inferior aos outros (Fan, 2014). Frequentemente, a vaidade refere-se a um cuidado, que pode chegar ao excesso, com o próprio corpo e beleza. Netemeyer, Burton e Lichtenstein (1995) identificam dois tipos principais de vaidade. Primeiro, a vaidade com a aparência física, ou seja, uma preocupação que conduz a uma visão positiva e possivelmente exagerada da aparência física. Segundo, a vaidade de realização dos objetivos que ncorpora a preocupação com a realização e o alcance de objetivos, assim como uma visão positiva (exagerada) quanto ao atingimento deles. Durvasula e Lysonski (2010), em estudo nduzido na China, observaram que esse tipo de vaidade é afetado pela dimensão poder/prestígio e pelas atitudes ante o dinheiro.
Na Grécia e na Roma antiga (por volta de 200 d.C.) os homens frequentavam casas de banho elaboradas e as mulheres cuidavam da beleza em casa. Algumas das fragrâncias extraídas nessa época eram provenientes de anis, pimenta, alecrim sálvia e hortelã-pimenta. O leite de jumenta era usado para manter a pele fresca e a massa de pão úmida era usada como uma máscara facial noturna. Por volta de 180 d.C. O médico grego Claudius Galen realizou pesquisas sobre a manipulação de fórmulas cosméticas, iniciando a era galênica dos produtos químico-farmacêuticos. Inclusive, foi Claudius Galen quem desenvolveu um produto chamado Unguentum Refrigerans, baseado em cera de abelha e bórax, e que hoje é mundialmente conhecido como Cold cream.
Foi também na Era Romana que surgiu a alquimia, uma ciência oculta que manipulava formulações cosméticas para rituais de magia e ocultismo. Foi neste período que Ovídio escreveu o seu livro voltado à beleza feminina “Os produtos de beleza para o rosto da mulher”, que ensinava as mulheres a cuidarem da beleza com receitas caseiras. Vieram cabelos loiros, as sombras, preparação d cremes caseiros, pomadas e perfumes; e que passaram a serem itens de desejo.
A cosmética teve o seu início na Pré-história, e acompanha a humanidade até hoje, passando por muitas mudanças, juntamente com a sociedade. É possível observar o aumento do mercado eco consciente e seus consumidores na cosmética, sendo os cosméticos dessa área, pautados no desenvolvimento sustentável, e os produtos procurados pelos consumidores e mercado consciente são aqueles com menor impacto ambiental – que possuem suas matérias primas de origem renovável, biodegradáveis e são mais seguros.

Ao longo do reinado de Elizabeth I da Inglaterra (Era Elisabetana), o uso de cosméticos se disseminou pelas cortes e aristocracias e posteriormente popularizou-se entre a sociedade. Um creme de primavera (Primula veris), por exemplo, usado pela rainha Elizabeth, se tornou uma espécie de artigo de moda. O produto tinha como função preservar e clarear a pele, assim como prevenir o aparecimento de rugas. Extratos de berry eram usados para destacar as bochechas, o que contrastava a aparência pálida da pele, que era clareada através da aplicação de tinturas brancas de chumbo. O uso de cosméticos não era limitado apenas às mulheres. Os homens tingiam sua barba de castanho-avermelhado, para mostrar respeito à rainha (que era ruiva). Ambos os sexos preferiam peles pálidas, e às vezes usavam máscaras para filtrar os raios de sol.

Durante os séculos XVII e XVIII, cosméticos eram usados em excesso. Mulheres ricas e com poder passavam horas arrumando os cabelos de forma alta e extravagante. Adesivos faciais eram usados para cobrir as marcas da varíola. Além disso, o carbonato de chumbo era usado como pó facial. A maioria dos cosméticos ainda eram feitos em casa. No século XIX, o desenvolvimento de cosméticos foi influenciado pelos avanços da iluminação teatral, assim como a evolução industrial, que trouxe novas matérias primas para produção de cosméticos, como uréia, ácido benzóico, glicerina, óleo mineral refinado e talco. O trabalho de Thomas Graham sobre emulsões e colóides e a descoberta do bórax, permitiram a obtenção do verdadeiro cold cream, mais estável que o precursor de Galeno.

Enquanto tintas e loções foram usadas por centenas de anos para realçar a beleza, foi apenas no século XX que corporações multinacionais começaram a utilizar campanhas publicitárias com mais frequência, explorando o interesse do público predominante feminino (na época) em beleza e atratividade. No decorrer dos anos, o crescimento da indústria da beleza resultou na disseminação de ideais de beleza em todo o mundo.
Procter & Gamble (P&G) foi uma das primeiras empresas de beleza a fazerem anúncios publicitários. As revistas femininas também foram importantes para a divulgação de produtos cosméticos e ideais de beleza. Essas revistas, e hoje a mídia em geral, são capazes de implantar um pensamento coletivo naqueles que à consomem. É através da representação de beleza nas revistas de moda meios de entretenimento que as percepções dos leitores são influenciadas. Apesar de alguns títulos tentarem desmitificar o mito da beleza, a maioria das mulheres ainda são afetadas por esses ideais e lutam para se encaixar no conceito de beleza, e do que é desejável e aceitável. Os cosméticos possuem um papel quase protagonista nesse processo.

Os avanços cosméticos sempre acompanharam os avanços da humanidade, e cada vez mais cosméticos e tecnologia andam lado a lado.
Nos dias atuais, cosméticos não são usados apenas para embelezar, mas também para tratar. O termo “cosmecêuticos” é relativamente recente, e de forma sucinta, é o conceito que mescla produtos com ação cosmética e farmacêutica. Esses produtos embelezam enquanto tratam a pele de maneira mais profunda e a longo prazo. Os cosmecêuticos normalmente são formulados usando componentes como vitaminas, hidroxiácidos, peptídeos, fatores de crescimento e ingredientes “botânicos” (como derivados de plantas).
Na atualidade, também é possível ver o aumento da preocupação com o meio ambiente e sustentabilidade. A sociedade tem mais preocupação com o impacto que os cosméticos podem causar no meio ambiente. Isso inclui a fabricação do produto, assim como os métodos de obtenção e destino dos ingredientes após o uso. Portanto, é comum ver marcas de cosméticos se preocupando cada vez mais com questões ambientais.
Os avanços tecnológicos revolucionaram as mais diferentes industriais, e com o mercado cosmético não foi diferente. Isso resultou na obtenção de novos ingredientes, cada vez mais específicos, assim como métodos de produção mais eficientes e modernos, o que auxilia na elaboração de novos produtos, como micro e nanoemulsões.
As campanhas publicitárias na televisão, rádio e revistas influenciaram o uso dos cosméticos, e desde então esse mercado só cresceu. No século XXI, os influenciadores digitais e crescimento da internet mudaram a maneira de divulgação.
Atualmente, os cosméticos vão além do conceito de “embelezar”. Produtos mais modernos usam vitaminas, aminoácidos, peptídeos, hidroxiácidos e ingredientes derivados de plantas, para tratar desordens cutâneas e outros fatores, como o envelhecimento da pele e manchas. Além disso, há cada vez mais o uso da tecnologia para desenvolver novos ingredientes e soluções, assim como auxiliar nos processos de pesquisa e desenvolvimento. O uso de aplicativos para complementar os cuidados diários é cada vez mais comum, bem como o uso de outras ferramentas.


